Estudo sobre o livro de Lamentações de Jeremias

24 – Lamentações de Jeremias – Chora Israel

Publicado em Introdução ao Antigo Testamento no dia 25 de janeiro de 2013

Lamentações de Jeremias

Lamentações de Jeremias

Introdução ao Livro Lamentações de Jeremias – Chora Israel

O nome Lamentações vem da tradução da Bíblia para o latim: a Vulgata. O título hebraico é ‘ekah, derivado das primeiras palavras dos capítulos 1, 2 e 4. Este termo era usado nas canções fúnebres e significa “como”. Podemos verificar seu uso em 2 Sm. 1:19, quando Davi chora a morte de Jônatas dizendo: “Como caíram os guerreiros!”

O livro está em forma poética, organizado em um acróstico alfabético. Os cinco capítulos equivalem aos cinco poemas.

Lamentações deve ser lido todos os anos no nono dia do m6es de Abe, como recordação da destruição do Templo de Jerusalém por Nabucodonosor em 587 a.C. e por Tito em 70 d.C.

 Foi composto provavelmente entre a destruição do Templo em 587 a.C. e a libertação do rei Joaquim da prisão na Babilônia em 562 a.C. (2 Rs. 25:27-30). O desespero demonstrado nos versos finais do livro (5:19-22) parecem indicar que o autor não tinha conhecimento sobre a libertação de Joaquim e o cumprimento das profecias de Jeremias acerca da restauração de Israel (Jr. 30-33).

 O livro é uma reação da alma sobre a destruição de Jerusalém pelo exército babilônico em 587 a.C. O registro histórico dessa destruição está em 2 Rs. 24 e 25 e 2 Cr. 36. Durante dois séculos os profetas procuraram alertar a nação de Israel sobre o julgamento iminente, entretanto os ouvidos do povo se acostumaram com as ameaças e seu coração endureceu-se. Em virtude da demora no julgamento, o povo ficou com uma falsa impressão de segurança (Jr. 6:13-14; Jr. 7:1-4). O livro mostra de maneira poética o horror que a invasão babilônica representou para o povo hebreu e como Javé tornou-se como um inimigo de Israel (Lm. 2:2-5).

 Estrutura de Lamentações de Jeremias

 O livro de Lamentações de Jeremias está estruturado da seguinte forma:

  • Pranto pela cidade fantasma – 1

  • Pranto pela ira da Javé manifestada em Jerusalém – 2

  • Um canto de esperança – 3

  • O caos de Jerusalém – 4

  • A desgraça e a restauração – 5

Conforme a lista acima Lamentações é composto de cinco poemas. Os poemas contidos nos capítulos 1, 2 e 4 são canções fúnebres que começam com a interjeição “como” (‘ekah). Os outros dois capítulos são poemas de pranto individual e coletivo, os capítulos 3 e 5 respectivamente.

 Conforme exposto anteriormente, os poemas em Lamentações são acrósticos alfabéticos, seguindo as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Há ao menos três benefícios para disposição dos lamentos no formato acróstico:

  • Facilita a memorização da catástrofe que se abateu em Jerusalém. O povo hebreu tinha uma forte tradição oral, e este método ajuda no processo de disseminação do conteúdo.

  • Os poemas acrósticos simbolizam de forma completa toda tristeza pela lamentação de Jerusalém.

  • A forma acróstica obrigava o poeta a pensar em todas as faces de um mesmo tema, atingindo a completude.

O primeiro poema personifica a cidade de Jerusalém como uma mulher orgulhosa, brutalmente estuprada e abandonada, enfatizando a solidão, a decadência e o abandono (Lm. 1:2,9,16,17).

O segundo trata sobre a força da ira de Javé contra Jerusalém e o quarto mostra as terríveis consequências do julgamento divino. O único consolo de Jerusalém é saber que seu castigo terminará (Lm. 4:22).

O terceiro poema acróstico é o mais longo e bem construído do livro com três versos para cada letra do alfabeto. Só perde em complexidade para o Salmo 119, que possui sete versos para cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico. É o centro de toda composição da obra, tanto no viés literário quanto no teológico. Este trecho contém:

  • sofrimento pessoal do poeta, que também expressa o sentimento da nação (3:1-20)

  • oração por consolo e esperança (3:21-29)

  • oração de arrependimento (3:40-54)

  • pedido de vingança (3:55-66)

Propósito e conteúdo

O livro de Lamentações de Jeremias aborda os seguintes assuntos:

  • Javé castiga o pecado

  • O sofrimento é um meio de aprendizado

  • O julgamento de Javé reflete sua justiça

  • Apesar do sofrimento há esperança

Na narrativa de 2 Reis 24 e 25 lemos o registro histórico, embora do ponto de vista teológico, da tomada e destruição de Jerusalém pela Babilônia. Em Lamentações, Jeremias capta o estado de espírito dos hebreus àquilo que eles consideravam impossível: a queda de Jerusalém e a ruína do Templo. Apesar de constantemente advertidos sobre esta tragédia, resultado da quebra da Aliança deuteronômica, os sobreviventes estavam inconsoláveis.

A ameaça de expulsão da Terra da Promessa não era uma simples cláusula nos termos da Aliança moisaica. O povo finalmente havia experimentado a concretização das ameaças contidas na Lei e foram vomitados da terra (Lv. 18:24-30). Agora, a única fonte de consolação era saber que haveria a restauração para Jerusalém e também o julgamento das nações ao seu redor (Lm. 4:21-22; 3:55-66).

Embora não respondesse questionamentos “como” e “por quê”, o pranto registrado em Lamentações servia uma catarse, um extravasamento do turbilhão de emoções que os judeus sentiam diante da destruição de sua cidade e abandono por Javé. Em meio à dor e sofrimento, tentando lidar sinceramente com este trauma, o texto de Lamentações revela que o povo reconheceu sua culpa, rebeldia e infidelidade (Lm. 1:14-22).

Essa confissão de arrependimento pôde dar um sentido na esperança da restauração para o futuro conforme o capítulo três. A ira de Javé indicava seu amor pelo povo escolhido, tal qual um pai castiga um filho que o desobedece. Esta ira estava indicada como um dos itens da Aliança que o Senhor havia feito com os hebreus. O livro ainda mostra que a misericórdia de Deus é infinita e ele não rejeitará seu povo para sempre (Lm. 3:21-29).

O sofrimento humano

O sofrimento humano é inevitável, pois é uma consequência do afastamento da humanidade de Deus (Gn. 3). Ao se afastar do Senhor, a humanidade fez somente o que era mal (Sl. 14:1-4) e tornaram-se corruptos.

Javé, embora longânimo (Na. 1:3), em virtude de sua santidade e justiça, não deixará os culpados sem castigo. O Antigo Testamento fornece oito sugestões para o entendimento do sofrimento humano (de acordo com R.B.Y. Scott).

1. Retributivo castigo justo pelo pecado Jó 4:7-9; 8:20
2. Disciplinador aflição corretiva Dt. 8:3; Pv. 3:11-12
3. Probatório teste divino do coração Dt. 8:2; Jó 1:6-12; 2:10
4. Temporário comparado com a boa ou má sorte dos outros Jó 5:18; 8:20-21; Sl. 73
5. Inevitável resultado da queda Jó 5:6-7; Sl. 14:1-4
6. Misterioso caráter e plano de Deus não são plenamente conhecidos Jó 11:7; Ec. 3:11
7. Fortuito e sem sentido moral tempo e acaso afetam a todos Jó 21:23-26; Ec. 9:11-12
8. Vicário um sofre por outro ou por muitos Dt. 4:21; Sl. 106:23; Is. 53:3,9,12

Judá reconheceu merecer o castigo como execução da justiça da Javé (Lm. 1:5,14,22; 4:13)

O abandono divino

Uma das consequências do julgamento de Javé foi seu abandono de Judá. Este assunto do abandono divino de seu templo e povo foi registrado também pelos povos mesopotâmicos. Nesta literatura a divindade deixa o templo em razão da destruição da cidade porque foi incapaz de corrigir a situação.

Entretanto, o abandono de Javé foi devido à falta do cumprimento da Aliança pelo povo e não pela incapacidade do Senhor. Por causa disso Deus removeu sua glória do Templo.

Na literatura mesopotâmica, o abandono da divindade provocava clamor para seu retorno e a confissão de pecados. Em Judá, o efeito foi justamente o contrário, pois, aproveitando a ausência do Senhor se rebelaram e pecaram ainda mais.

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15 respostas para “36 – Ageu – Mãos à obra!”

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