Estudo sobre o livro de Josué

007 – Josué – Com o Pé na Promessa

Publicado em Introdução ao Antigo Testamento no dia 13 de abril de 2012

Josué

Introdução ao Livro de Josué – Com o pé na promessa

 O livro de Josué retoma a narrativa de Deuteronômio, quando Moisés, impedido de entrar na Terra da Promessa (Dt. 32:48-52), é substituído por Josué como novo líder do povo de Israel (Dt. 31:23).

Josué é um personagem importante na história da nação de Israel, pois é lembrado como auxiliar de Moisés (Dt. 31:11), um dos doze espias (Nm. 14) e como general de sucesso (Ex. 17). Por isso, durante a condução do povo à entrada na Terra Prometida, o livro recebe corretamente seu nome, porém devemos nos atentar que o livro trata sobre Deus e suas obras e não sobre Josué.

Apesar de haver muitas teorias sobre a composição deste material, este estudo aborda a teoria da data mais antiga para os registros contidos neste livro. Há algumas razões para isso:

  • Josué 16:10 relata que os cananeus não foram expulsos de Gezer e “até hoje” vivem no meio do povo de Efraim. Porém I Reis 9:16 diz que o faraó conquistou Gezer e matou todos os cananeus que viviam ali. Isto indica que Josué foi escrito antes da época de Salomão.
  • Josué 8:32 sinaliza a presença de escribas no povo de Israel, e não há razao para não admitir que o próprio Josué tenha feito estes registros.
  • O período do profeta Samuel é outra possibilidade, pois o amplo uso da expressão “até hoje” sugere que tenha havido um espaço de tempo entre os fatos narrados e o registro escrito.

Embora o livro de Josué narre a conquista da Terra Prometida (Js. 21:43-45), o relato feito em Juízes 1:1 deixa claro que havia muito ainda a ser feito. O que deve ser entendido à luz do contexto histórico é que Deus cumpriu sua promessa de colocar  Canaã sob controle israelita, pois as principais nações que a ocupavam foram derrotadas e expulsas.

É importante destacar que neste período histórico houve um vácuo de poder nesta região. Tanto os egipcíos quanto o povo hitita estavam enfraquecidos pelas longas batalhas que travaram, e não havia ainda outra nação poderosa para tomar o controle da região. O império assírio viria a ter proeminência apenas dali a alguns séculos, portanto o povo de Israel pôde, neste intervalo, tomar a terra de canaã de nações mais fracas, que não ofereciam uma resistência inabalável.

Estrutura de Josué

 O livro de Josué mantém o foco na aliança de Javé com o povo hebreu, conforme o texto em 1:2-6, e pode ser dividido da seguinte maneira:

  1. O chamado de Josué – 1:1-9
  2. A entrada na terra – 1:10-5:12
  3. A conquista da terra – 5:13-12:24
  4. A divisão da terra – 13:1-22:34
  5. Os últimos dias de Josué – 23:1-24:33

A primeira parte do livro relembra o povo sobre a fidelidade e obediência que deveriam prestar a Deus.

Na segunda parte, conta-se em detalhes a estratégia dos espias em Jericó, porém não pela estratégia em si, mas para revelar o que Deus já havia estabelecido: “o Senhor entregou a terra em nossas mãos” (2:24).

A terceira parte do livro é a mais conhecida, pois relata as batalhas que os israelitas enfrentam para a conquista da terra. Entretanto, o que deve ser destacado que neste trecho é que Javé lutará capacitará o povo hebreu na conquista. É Javé quem dá a vitória ou a derrota, conforme o relato do capítulo 7. Neste episódio o compromisso com a aliança é ensinado de maneira assustadora.

A quarta parte é a maior, e relata a divisão da terra entre as tribos de Israel. É a maior parte do livro pois demonstra em detalhes o cumprimento da promessa de Deus em relação à alianç estabelecida com o povo hebreu.

A quinta e última parte narra os dias finais de Josué e a renovação do pacto em Siquém.

Propósito e conteúdo

Nos relatos da conquista no livro de Josué podemos encontrar os seguintes temas:

  • A fidelidade de Javé no cumprimento de suas promessas
  • A importância da obediência à aliança
  • A conquista e divisão da terra prometida

Embora o livro cite com muita frequência o nome de Josué, os relatos nele contidos não são sobre Josué. O livro também não trata sobre as estratégias militares envolvidas na conquista de Canaã, pois o texto deixa claro que toda estratégia veio de Javé.

Portanto, o livro tem a intenção de transmitir a idéia de que Javé comanda seu povo e cumpre suas promessas, a despeito do comprometimento do povo com a aliança firmada.

A aliança e a terra

A terra representa de forma visível a eleição de Israel por Javé e a concretização da aliança firmada com seu povo. Josué segue a teologia de Deuteronômio quando estabelece a terra como benção de Javé aos hebreus. A terra tinha um papel fundamental  no Antigo Testamento pois, sempre que o povo merecia castigo, a ameaça era a perda da terra e sua expulsão. O livro de Josué mostra de forma brilhante a promessa de Javé se cumprindo, quando mostra detalhadamente a divisão da terra entre os israelitas.

Consagração à destruição

A consagração à destruição em Josué também é encontrado em Deuteronômio (Dt. 7:1-11 e 20:10-18) e instituída em Josué 6:17-19. O termo se refere à consagração de pessoas, cidades e coisas para serem destruídas quando da invasão pelo povo de Israel. Este processo causa certo embaraço sob o ponto de vista ético-cristão, porém os textos deixam muito claro as ordens de Deus para sua efetivação. O que devemos considerar é o Antigo Testamento trata o juízo de Deus sob a justiça retributiva, e esta era executada por meio de outros povos. Ou seja, Javé usou o povo de Israel para executar seu juízo sobre as nações cananéias de acordo com Deuteronômio 9:5. Outro motivo para a execução da sentença de consagração a destruição era a resistência à ação de Javé conforme os textos de Js. 9:1-4, 10:1-5 e 11:1-5. O Novo Testamento expande este conceito, quando cita que o único pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo, ou seja, a resistência máxima à ação de Deus, que leverá o indivíduo à separação eterna de Deus.

Soberania divina

Não há como tirar o elemento sobrenatural do livro de Josué sem comprometer sua teologia. Assim como Êxodo, Josué destaca a intervenção divina na história para cumprimento do seu propósito. Os acontecimentos descritos não são ocorrências casuais dos deuses, como na literatura politeísta pagã. O livro de Josué, depois de quatrocentos anos, culmina com o cumprimento da promessa feita a Abraão, um imigrante vindo da Mesopotâmia para Canaã, que forma um pequena família, e recebe a promessa de que todas estas terras seriam de sua grande descendência.

Solidariedade comunitária

O trecho de Josué 7 nos conta acerca do juízo executado sobre Acã e toda sua família, pois ele havia desobedecido as ordens dadas quando houve 36 baixas de Israel na batalha de Ai. Para nosssa mentalidade individualista isso parece injusto, mas o conceito de identidade coletiva era muito forte em Israel. Este conceito fica evidente na lei do levirato (Dt. 25:5-10) e do resgate de terras (Lv. 25) onde a familia desamparada do clã recebia auxílio. Entretanto, da mesma forma onde o clã era abençoado por causa de um membro, todo clã também sofreria se um membro desobedecesse as estipulações da aliança. O objetivo era eliminar toda continuidade da desobediência, além de punir todos aqueles que, embora não sendo culpados, partilhavam do mesmo ideal do desobediente.

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Deixe seu comentário:

18 respostas para “36 – Ageu – Mãos à obra!”

  1. Arthur Barros disse:

    Milho, você pretende concluir a análise dos livros do antigo testamento, aqui, no seu próprio site? Abração.

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  6. Sim, Arthur. Os estudos já estão prontos, e vou postando aos poucos. É que estou meio atarefado com alguns trabalhos da facu. Mas vou colocando assim que tiver um tempo.

    Valeu pela audiência!

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  11. e muito rico esses estudos,tenho aprendido muito, e tem me enriquecido.Deus vos abençoe.

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  16. Maressa Braga disse:

    Fiquei com uma dúvida: relendo Esdras 1-6, eu entendi que muitas pessoas voltaram para reconstruir o templo por permissão do rei Ciro. Passados 7 meses de adaptação, começaram a reconstruir. O problema foi o veto do rei Artaxerxes, com essa ordem o povo parou a construção e isso levou ao desânimo (medo de represália caso desobedecessem ao rei Artaxerses). Aí que Deus levantou Ageu, para chamar a atenção de volta para o templo, pois eles estavam ha mais de 8 anos naquele lugar com as obras paradas. Inicialmente o povo se animou pela liderança política de Zorobabel e espiritual de Josué, mas depois eles se desanimaram porque estavam desobedecendo a ordem de Artaxertes (mesmo que esse não estivesse mais no poder) e isso poderia acarretar a ira do império Persa. Tanto que em Ag 2:4-5 Deus os exorta a serem corajosos porque Ele estava com eles – isso pra mim evocou esse pensamento que o povo não desanimou porque não lembravam dos tempos de glória dos antepassados ou pela seca descrita em Joel e sim porque estavam com medo de desobedecer a ordem do Artaxerxes e serem atacados pelo então rei Dario. Que tal?

  17. Na verdade a terra ficara fora do controle hebreu durante muito tempo, então outros pegaram o controle do lugar, que era muito ambicionado pois era passagem entre o norte, Babilônia e o Sul Egito.

    Quando os reis persas dão permissão de reconstruírem tudo galera que já estava lá tinha certeza de que perderiam a boquinha comercial-financeira que tinham até então.

    Por isso, num determinado momento, eles tem que reconstruir os muros com uma mão e com a outra segurar uma espada caso alguém tentasse atacá-los.

    Naquela época a coisa também girava em torno de poder, influência e dinheiro.

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