Os efeitos do pecado Alexandre Milhoranza

Os efeitos do pecado

Publicado em Pecado e Redenção no dia 9 de junho de 2011

 

O estudo do pecado no Antigo Testamento nos leva necessariamente aos efeitos que o pecado causou em Adão e seus descendentes, porém o Antigo Testamento nada diz sobre os efeitos deste acontecimento.

Segundo Eichrodt, o profetismo passa pelos efeitos de Gênesis 3 sem prestar muita atenção, pois interessava a eles que seus ouvintes, atentos à proclamação do juízo, pudessem decidir e despertar seu sentido de responsabilidade, afinal estavam sob ameaça imediata, logo não havia necessidade de olhar para origem do problema naquele momento (EICHRODT, 2004, p. 849).

Gênesis 3 não diz nada sobre as consequências do pecado de Adão sobre seus descendentes, mas mostra as consequências para os envolvidos no primeiro pecado. A serpente é amaldiçoada, e o primeiro casal sofre os efeitos do seu pecado. À mulher coube ter seus filhos mediante dores no parto, o desejo ao seu marido e a submissão a ele; ao homem restou tirar o sustento da terra por meio da força física excessiva e a terra foi amaldiçoada. Deus expulsa do jardim o casal e o impede de entrar usando uma espécie de “guarda angelical”. Agora ninguém mais teria acesso ao jardim, onde ficava a árvore da vida; restava aos homens a morte, conforme o relato de Gênesis 3:22-23.

Para Eugene Merril, o fato da mulher ter provado o fruto primeiro, e ter oferecido a seu marido, sugere uma iniciativa de liderança sobre a familia criada, para a qual a mulher não fora feita. Portanto, a partir deste momento, seu desejo seria para seu marido, pois esta iniciativa de auto governo é o próprio âmago da queda (MERRIL, 2009, p. 206).

 Eichrodt vai além nesta meditação e diz que não se proclama simplesmente a morte como castigo do pecado, mas uma escravidão de uma vida inteira sob o poder da morte por meio do sofrimento, da dor e da fadiga, conforme o Salmo 90:7, onde o resultado não é a morte em si, mas o rápido passar da vida (EICHRODT, 2004, p. 847).

Smith, citando Victor Hamilton, diz que a morte não é tida como a consequência do pecado de Adão, mas o resultado do pecado é o trabalho árduo por toda a vida.

O Antigo Testamento não explica o pecado de um ponto de vista didático, entretanto mostrará toda a história subsequente como uma história de pecado. No episódio entre Caim e seu irmão Abel, o pecado não estava na exteriorização violenta de Caim contra seu irmão, mas na ira e inveja que sentiu dele. A consequência do pecado de Caim não foi a morte, mas sua alienação da sociedade.

À época de Noé, a terra estava corrompida (Gn 6:11-12), e Deus viu que toda intenção do homem era má (Gn. 6:5), por isso enviou o dilúvio para castigar a humanidade por seus pecados. Porém, mesmo após o dilúvio, Deus observou que as intenções do homem continuaram más, indicando que o pecado era universal (Gn 8:12). A família de Noé não foi poupada porque não tinha pecado, apesar de Noé ser chamado de justo e íntegro, porém a palavra tāmîm (direito, perfeito) não significa “sem pecado”, mas saudável ou inteiro.

 O Antigo Testamento não é dogmático no sentido do pecado original, porém mostra a tendência natural do ser humano para praticá-lo, além de referir-se aos efeitos do pecado sobre as gerações seguintes, conforme Ex. 20:5; Lv. 26:39; Nm.14:18. Estas passagens podem ser explicadas partindo-se do princípio do coletividade na visão israelita. Ou seja, o indivíduo estava subordinado a um grupo e as consequencias de seus pecados nunca eram individuais, mas atingia todo o grupo.

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